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Jogador do Feirense arrada tudo com post nas redes sociais

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Jogador do Feirense diz que ‘futebol está podre’

 

Vítor Bruno, jogador do Feirense, fez após a derrota com o Benfica um longo desabafo no Facebook, manifestando a sua desilusão sobre “este futebol”.

O lateral relatou o percurso da sua carreira e falou da magia que o futebol sempre representou na sua vida para terminar com um lamento: “Semana após semana, continuamos assistir ao que todos nós vemos. Ou não queremos ver.”

“Aos 29 anos, este futebol, já não me fascina. Não foi isto que idealizei. Aliás, pensava que muita coisa que vejo, não acontecia, que não era possível”, frisa.

Post de Vítor Bruno:

“Para mim, a melhor prenda era sempre uma bola. Bola essa que com pouco ficava gasta. Não havia problema , porque muitas meias juntas resolviam logo o problema. Jogávamos e amamos verdadeiramente o futebol. Jogava na rua, na escola, no ringue… fosse onde fosse, jogava em todo o lado.Dois pra dois, aos cruzamentos, ao “brasileiro”… Os portões faziam de balizas (e nessas vezes a minha mãe ficava fula e barafustava).Meu Deus, que tempos fantásticos que eu e os meus amigos vivíamos. Pureza das coisas. Ficava tão feliz por ter uma bola.Ao fim de semana, ficava colado a televisão para ver futebol. Para mim, futebol era absolutamente fascinante. Por isso, sempre sonhei ser jogador de futebol profissional da primeira liga. Era o meu maior sonho. Sem clubismos, queria apenas chegar lá.

Joguei no clube da minha terra-Fajozes. No unidos ao Varzim. Depois infantis do Famalicão, onde fui treinar à experiência. Nos iniciados fui para o FCPorto e aí fiz a formação até aos juniores. Orgulho-me… pois, do nada cheguei a esse patamar. Mas nunca ninguém me deu nada. Nunca tive um contrato profissional. Fui o único jogador dos juniores por exemplo a nunca ter treinado na equipa sénior. Dos meus colegas de juniores fui o único a ir para uma terceira divisão, para o Candal.

Nunca desisti. Sem ajudas mas com um espírito, uma vontade e raça de atingir o que sempre ambicionei/sonhei. Ribeirão e Penafiel foram as paragens seguintes. Mais uma vez, fui à experiência a Penafiel. E tive de pagar os direitos de formação. Eu não. Os meus pais. O pouco que tinha juntado, foi para comprar um Renault Megane, que mais tarde acabaram por me roubar.

Cheguei a Penafiel e nem contava para as convocatórias. Nem jogava. Ganhava 300€. Até no Ribeirão, que era 2B ganhava mais, vejam lá. E porque razão aceitei viver assim precariamente? Tinha ajudas da minha família, da família da minha mulher que me conheciam há pouco tempo, diga-se de boa verdade mas acima de tudo porque tinha um sonho, a jogar na primeira liga e o dinheiro pouco me interessava. Nunca joguei por dinheiro.Acreditava mesmo que ia conseguir.

Os anos passaram, subi no Penafiel conquistando vários títulos de melhor jogador do mês que muito me orgulham e … concretizei o meu sonho, jogar na primeira liga. Afinal tinha conseguido. O menino que “bebia” jogos e adorava futebol tinha conseguido chegar ao mais alto patamar do futebol. Tudo para mim era fantástico. O ambiente antes dos jogos. A relva. O ambiente. As câmaras. Sempre tudo me cativou.

Fui seguindo a minha carreira. Conquistei a taça da Roménia. Joguei novamente na primeira liga pelo Feirense, Boavista e voltei ao clube no qual eu gosto e sinto carinho, o Feirense.As coisas não estão fáceis, é verdade . Estamos em último lugar. Não tem corrido bem. Podem me criticar por falta de qualidade, por não jogar nada, mas nunca não me vão criticar por falta de raça.

Aprendi com os meus amigos isso. Em que se quisesse jogar com os mais velhos, tinha de conquistar o meu lugar, o respeito deles. Por isso, dentro de campo dou tudo, e sou o que sou. Para mim, não há amigos lá dentro.

Hoje com 29 anos, já não acredito naquele futebol em que eu admirava e que me colocava horas e horas em frente à televisão. De que se fala agora? De tudo menos de futebol de verdade. Falamos de lixo. Consumimos lixo. Ligamos a tv e vemos em todos os Canais gente que não disfarça o clubismo.

No passado, dizíamos que os árbitros não tinham condições para fazer o seu trabalho, não eram profissionais .Agora? Já são!! Até centro de treinos tem, como as coisas evoluem, e bem acrescento eu. Depois, faltava o apoio tecnológico. Qual foi a medida que se seguiu ? Criou-se o VAR. Emuito bem , acrescento eu.

Mas semana após semana, continuamos assistir ao que todos nós vemos. Ou não queremos ver. Aos 29 anos, este futebol, já não me fascina. Não foi isto que idealizei. Aliás, pensava que muita coisa que vejo, não acontecia, que não era possível.

Hoje, um familiar disse: “futebol está como está o país. Em que vemos gente a prevaricar e nada lhe acontece”. Meus amigos, esta é a realidade. Sem clubismos. Que ninguém que goste de futebol, gosta do que se passa em Portugal. E continua-se a assobiar para o lado. Isto é apenas um desabafo de quem perdeu o fascínio da magia do futebol”

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