Rui Pinto, que está detido na Hungria a pedido das autoridades portuguesas, destacou o facto de o Football Leaks ser imparcial nos documentos que divulga e deu o exemplo de Cristiano Ronaldo.
O hacker confessou ser fã do jogador mas quer ver esclarecidas as polémicas que envolvem o craque da Juventus.
“O Ronaldo é o meu jogador preferido, penso que é o jogador mais completo da história do futebol. Contudo, o seu comportamento fora do campo tem de ser julgado de modo diferente.
Para isso, o Football Leaks é e foi muito relevante. Não interessa se o nosso jogador preferido ou o nosso clube preferido são afetados. O Football Leaks tem mostrado que tem sido realmente imparcial”, referiu em entrevista ao ‘Expresso’.
Questionado sobre o caso de violação que envolve CR7, Rui Pinto confirmou que foi contactado pelas autoridades norte-americanas mas não quis alongar-se:
“Sei perfeitamente que existe uma investigação, mas não vou comentar. A investigação está a decorrer e prefiro não comentar”.
Rui Pinto assumiu esta sexta-feira que é “John”, o whistleblower por detrás do site Football Leaks e autor da divulgação de mais de 70 milhões de documentos privados à revista alemã Der Spiegel.
Na sua primeira entrevista, o alegado responsável pela divulgação de alegados emails do Benfica admitiu ao consórcio de jornalismo EIC (European Investigative Collaborations) que não se define como um hacker e dirigiu críticas ao sistema judicial português, que considera ter “muitos interesses escondidos”.
Em Budapeste, onde se encontra em prisão domiciliária depois de ter sido detido no passado dia 16 de janeiro, Rui Pinto concedeu uma entrevista alargada à Der Spiegel, em conjunto com o Mediapart e o NDR, e sobre a qual o semanário Expresso divulgou parte esta sexta-feira.
À revista, o português de 30 anos afirma que a sua única intenção era “revelar práticas ilícitas que afetam o mundo do futebol” e que este foi um “movimento espontâneo” no qual não está sozinho.
Acusado de utilizar informação privilegiada para chantagear o fundo Doyen Sports no outono de 2015, Rui Pinto afirma que apenas contactou a empresa para “confirmar a ilegalidade das suas ações” e “perceber o quão valiosos e quão importantes eram os documentos para a Doyen”, de maneira a expor o fundo.
Rui Pinto acrescenta ainda que não existe nenhuma declaração das autoridades que o relacione aos alegados emails incriminatórios do Benfica que terá fornecido ao FC Porto e refere a investigação da SÁBADO no outono de 2018.

“Isso mudou a minha vida. A minha fotografia estava nas primeiras páginas dos jornais por todo o país. A minha conta de Facebook e o meu email foram inundados com ameaças de morte”, afirmou ao Der Spiegel, citado pelo Expresso.
No entanto, apesar dos rumores em Portugal, o alegado hacker do Benfica garante que “nunca” ganhou dinheiro através dos documentos aos quais tinha acesso e que, apesar de receber várias ofertas para revelar dados, nunca as aceitou.
“Recusei todas as ofertas, porque nunca agi com o propósito de ganhar dinheiro, mas sim com base no interesse público.”





